De Futebol

Flamngo wins the second leg 2-1 to win the Carioca title over Fluminense.

Globo Esporte;” A discussão sobre o futuro dos Estaduais, sobre a necessidade de reduzi-los, não deixou de ser urgente. Mas após jornadas como a que o Maracanã viveu ontem, pode esperar um dia mais — e não mais do que isso, se quisermos mesmo cuidar do futebol brasileiro. Ocorre que só um insensível incurável atravessou a tarde deste domingo sem sentir algo, fosse apreensão, angústia, tristeza ou euforia. Ou um pouco de tudo, enquanto se construía a vitória do Flamengo sobre o Fluminense, de virada, por 2 a 1, dando ao clube o seu 34º título estadual, o sexto invicto.

Jogos assim, a todo risco, produzem memórias e heróis. Moldam a relação entre jogador e clube. Já era impraticável negar a influência de Guerrero neste Flamengo. Diante do que via no campo, a arquibancada já lhe dava devido valor. Mas quando à produção esportiva, à influência e à fama se juntam conquistas, gol de título, a coisa muda de patamar.

Guerrero tem sido um homem assoberbado de trabalho neste Flamengo, em especial no pós-lesão de Diego. Segura defensores, ajuda a abrir espaços fora da área, passa e é dos raros que finaliza num time que sofre para ser incisivo, mesmo quando domina. Ontem, a seis minutos do fim, quando os pênaltis pareciam o destino do Fla-Flu, tirou da cartola o gol de empate que, no fim das contas, foi o do título. O lance teve uma irregularidade: Réver fez falta em Henrique antes de cabecear para Diego Cavalieri dar rebote.

Sai da final um Fluminense que, durante o Estadual, entregou mais do que se esperava no início da temporada. Mas que, nas finais, jogou menos do que nas muitas partidas em que praticou um jogo atraente. Dirá o futuro se a juventude pesou, se o elenco precisa se enriquecer. O recurso a Maranhão no segundo tempo pode ser um sintoma. Para crescer na temporada, terá que ampliar repertório. Aliás, até os campeões estaduais do país terão. O fato é que, nos 180 minutos da decisão, o Flamengo teve mais tempo de predomínio.

Coisas de final, por boa parte do primeiro tempo o Fla-Flu foi mais emoção e menos razão, mais eletricidade e menos cadência, muita negação de espaços, bolas ganhas e perdidas. Não era grande jogo, mas era o Flamengo o time mais presente no campo rival, como no primeiro jogo. Curiosamente, desta vez, era o Fluminense quem vencia, com gol de Henrique Dourado, aos três minutos. Como se a decisão recomeçasse, sem vantagem para lado algum.

EXPULSÃO E VIRADA

Com Trauco e Willian Arão como meias à frente de Márcio Araújo, o Flamengo bloqueava as tentativas tricolores de sair do seu campo. Pela esquerda, por onde combinavam Éverton, Trauco e Renê, confundia a marcação. Mas as chances eram raras num jogo de poucas trocas de passes extensas.

Decisões também podem mudar personagens de patamar. Na necessidade, Zé Ricardo, o técnico jovem em quem o Flamengo relutou em acreditar no ano passado, que neste ano foi questionado, passou a fazer intervenções no jogo. E foi criando alternativas para o Flamengo. Na segunda metade do primeiro tempo, invertou lados de Éverton e Berrío. Pela direita, Éverton teve a melhor chance do Flamengo. Mas ofereceu um corredor de contra-ataque ao tricolor. Henrique Dourado quase ampliou.

O início do segundo tempo foi o período mais desafiador. O Fluminense era melhor, Léo e Dourado haviam construído chances. Zé Ricardo, primeiro, trocou Berrío por Gabriel, mas o jogo mudou mesmo com Rodinei pela direita e Gabriel mais perto de Guerrero.

https://oglobo.globo.com/esportes/titulo-do-carioca-molda-relacao-de-guerrero-ze-ricardo-com-flamengo-21307541#ixzz4gU9acjRz

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