De Futebol

Flamengo finally stopped the bleeding with a 2-0 win over Ponte Preta. Globo Esportes O Campeonato Brasileiro tem uma peculiaridade. As atenções se dividem entre o time de hoje e o que está por vir. Há sempre um reforço por estrear. No imaginário do torcedor, há sempre um time que ainda não existe, mas que pode vir a ser melhor do que aquele que se vê em campo. O Flamengo tem suas apostas: Conca estreou nesta quarta-feira, ainda há Éverton Ribeiro e Rhodolfo. Só que, mais do que reforços, o rubro-negro tinha um estádio por estrear. E ter casa sempre ajuda.

Optou por uma no estilo alçapão, o que acredita-se ter lá a sua serventia. Na Ilha do Urubu, venceu a Ponte Preta por 2 a 0 e resolveu a maior das urgências do momento: ganhar, ainda mais no jogo em que punha a prova sua solução para encerrar a recente sina de time itinerante. Mas também ficou claro ser necessário algo além do alçapão. Para ser consistente, a qualidade de jogo do Flamengo ainda precisa melhorar. Talvez o alívio da vitória crie as condições para o próximo passo.

Sob o ponto de vista das chances concedidas a um rival tímido, devotado à defesa e a esporádicos avanços, o Flamengo fez uma partida segura. Na construção de jogadas, houve longos momentos de pouca imaginação.

Enquanto Vinícius Júnior fez a diferença, o que se sentiu notadamente nos 20 minutos iniciais, o futebol do Flamengo teve algo distinto em relação aos últimos jogos. Depois, tornou-se previsível, com um domínio da bola que, invariavelmente, acabava num cruzamento feito da intermediária, facilitando a defesa.

Sobre Vinícius Júnior, talvez o jogo indique que o déficit que hoje o separa dos jogadores já mais “adultos” seja físico. Porque a forma como deslizou pelo campo no início do jogo chamou atenção. Iluminou o jogo do Flamengo, por vezes na lateral da área, por vezes mais pelo centro, abrindo a defesa da Ponte Preta. Em três cruzamentos dele, originados de lances de virtude individual do jovem, Leandro Damião teve ótimas chances. No último, Aranha evitou o gol.

Aos poucos, o passar dos minutos fez Vinícius perder precisão na execução das jogadas e deixar de levar vantagem no drible. Como se tivesse perdido o frescor do início do jogo. Com a inspiração de sua promessa, foi-se também a inventividade do Flamengo.

Houve momentos em que a Ponte Prata passou a ter a bola e enervar o rubro-negro. A saída de bola com Cuéllar no lugar de Willian Arão não criou mecanismos de fazer o time chegar com qualidade à frente. Márcio Araújo andou assumindo funções mais ofensivas, sem sucesso. Diego chegou a recuar para iniciar os lances, afastando-se da zona ofensiva. A solução só viria num córner, nos acréscimos da primeira etapa, quando Réver cabeceou para a rede.

O gol foi um achado porque clareou o segundo tempo, oferecendo espaços. O Flamengo não chegou a ser uma avalanche de contragolpes, mas como marcava bem e anulava a Ponte Preta, jamais indicou ter a vitória em risco. E ainda permitiu o primeiro passe para gol de Vinícius Júnior, aos 14 minutos. Após uma bola longa que Damião ganhou pelo alto, o menino cruzou na cabeça do centroavante, que fez o 2 a 0.

Alívio na Ilha do Urubu, o que permitiu a Zé Ricardo até dar minutos a Conca: os primeiros 11 minutos do argentino. Não era o Conca habitual, nem poderia. O quanto vai progredir, o futuro dirá. O que será o Flamengo na Ilha, o Flamengo de Éverton Ribeiro, o futuro também dirá. No futebol brasileiro, o futuro é cheio de interrogações.

https://oglobo.globo.com/esportes/flamengo-resolve-urgencia-com-vitoria-na-ilha-mas-ve-questoes-no-futuro-21480883#ixzz4k4UTU6UY

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